Tecnologia nos campos – FIFA irá implementar sistema de impedimento semiautomático na Copa do Mundo

O futebol é sem sombra de dúvidas um dos maiores e mas populares esportes ao redor do mundo. No entanto, quem acompanha ou joga futebol há muito tempo sabe que não era tão difícil que algumas regras não fossem aplicadas em jogos importantes. Alguns lances marcantes ficam guardados na memória como o gol de mão do Maradona contra a Inglaterra na Copa do Mundo de 1986, que gerou na desclassificação da seleção inglesa. Por sinal, os coitados dos ingleses também sofreram com outro problema em Copa do Mundo, num jogo contra a Alemanha em 2010, num lance em que a bola claramente entra no gol, porém ele não é assinalado.


“Mão de Deus” foi o nome dado ao gol de Diego Maradona contra a Inglaterra, na Copa de 1986

Inglaterra vs Alemanha - Copa do Mundo de 2010
Inglaterra vs Alemanha – Copa do Mundo de 2010

Na última década, esses problemas têm sido evitados com a tecnologia da linha do gol (que salvou centenas de gols desde que foi lançada) e com o apoio do VAR, que confere e aponta lances que às vezes passam despecebidos aos olhos da arbitragem (mesmo que erre em algumas situações). Afim de diminuir ainda mais os erros e principalmente, agilizar a tomada de decisão nas partidas, a FIFA irá implementar um sistema semiautomático de impedimento na Copa do Mundo de 2022. Os dirigentes da entidade esperam que os impedimentos difíceis, que hoje levam em média 70 segundos para serem marcados, possam ser resolvidos em 20 ou 25 segundos.

Como a tecnologia irá funcionar?

– As bolas usadas na Copa do Mundo serão dotadas de um sensor, instalado exatamente no centro da esfera, que vai permitir ao sistema saber com exatidão em que momento houve contato com o jogador que passa a bola;
– 12 câmeras posicionadas no estádio – conectadas ao mesmo sistema – vão rastrear a posição de cada jogador; e, mais do que isso, vão localizar com precisão 29 possíveis pontos de contato do corpo com a bola, 50 vezes por segundo;
– Sempre que houver um jogador impedido, e ele participar do lance (ao tocar a bola), uma luz vai acender na cabine do VAR. E haverá um operador dedicado exclusivamente para esse tipo de lance;
– Esses lances serão checados pelo VAR, que então se comunicará com o árbitro de campo;
– Em vez das habituais linhas traçadas para marcar os impedimentos, a tecnologia vai gerar uma animação em 3D, que deve tornar mais fácil o trabalho dos árbitros (de vídeo e de campo) na hora de tomar uma decisão;
– A mesma animação será exibida no telão dos estádios e nas transmissões de TV. A ideia é que o público tenha acesso à mesma imagem que foi usada pelos árbitros para decidir o lance;
– A animação não será exibida imediatamente após o lance. Como é provável que o jogo já tenha sido reiniciado, a animação provavelmente só vai aparecer no estádio (e nas telas de quem estiver assistindo) na seguinte interrupção do jogo;
– A nova tecnologia só será usada quando o jogador em impedimento tocar a bola; os impedimentos marcados por causa de interferência no campo do goleiro, por exemplo, continuarão a ser decisão do árbitro.

Modelo de imagem que será apresentada ao público com a nova tecnologia.
Modelo de imagem que será apresentada ao público com a nova tecnologia.

A Fifa testou a tecnologia em duas competições recentes – Copa Árabe, no final de 2021, e Mundial de Clubes, no início de 2022 – e também em laboratórios de universidades nos EUA, na Austrália e na Suíça. De acordo com o chefe do departamento de arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina, a ferramenta está pronta para ser usada.

– É importante dizer que a decisão continua sendo dos árbitros. Os árbitros não serão substituídos por robôs. Ou então quem estaria aqui explicando isso a vocês seria um engenheiro, e não eu – disse Collina, que apitou a final da Copa do Mundo de 2002.

Além de ter apresentado a tecnologia, o diretor de arbitragem da Fifa afirmou que a entidade trabalha para criar versões “mais acessíveis” do VAR, que dependam de menos câmeras, de maneira a popularizar a ferramenta e torná-la viável em campeonatos com menos estrutura financeira. Mas o ex-árbitro deixou claro que isso não vai se aplicar a esta tecnologia do impedimento.

– Temos que ajustar cada possibilidade. Mas aqui estamos falando da Copa do Mundo, que pode ter um número maior de câmeras, pode ter mais pessoas na cabine do VAR. Isso não é o normal em todas as competições.

Pierluigi Collina, ex-árbitro e diretor da comissão de arbitragem da FIFA
Pierluigi Collina, ex-árbitro e diretor da comissão de arbitragem da FIFA

A Fifa, que recentemente anunciou os árbitros que vão trabalhar na Copa do Mundo do Catar, pretende reuni-los duas semanas antes na sede do Mundial para treiná-los com a nova ferramenta. A competição irá de 21 de novembro a 18 de dezembro.

Fonte: Globo Esporte

A arbitragem e a tecnologia no futebol são assuntos cada vez mais discutidos hoje em dia, e você, o que acha dessa novidade?

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